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O novo cidadão conectado

Em 1994, foi colocada no ar a De Digitale Stad (DDS) ou Cidade Digital de Amsterdã. O experimento tinha como objetivo estabelecer um diálogo entre a comunidade conectada em rede e o conselho municipal da cidade. Interessante que a DDS possuía as mesmas estruturas de uma cidade, isto é, cafés, praças, residências e claro, por se tratar de Amsterdã, um sex-shop. Em seis anos, a DDS já possuía mais de 140 mil “habitantes” que organizavam protestos, emitiam suas opiniões e votavam em propostas. Mais de 20 anos se passaram e, hoje, podemos exercer nossa liberdade de expressão por meio das redes sociais, de forma transparente e sem censura. Infelizmente isto não é realidade em todos os países e governos não democráticos temem a internet justamente por sua capacidade de dar poder aos cidadãos conectados ou melhor o contrapoder, construído de forma independente e livre de controle. Não é possível imaginar a primavera árabe, os protestos ocorridos em Seattle em 1999 ou os eventos de junho de 2013 e 15 de março de 2015 no Brasil sem as plataformas sociais virtuais. Se antes os movimentos sociais dependiam de panfletos, sermões e boca a boca para disseminar seus objetivos e ideais, agora basta um smartphone, acesso à internet e uma rede social qualquer, não importa, a mensagem irá chegar ao seu destino, numa velocidade sem precedentes.

O que estamos vendo é a convergência do espaço-tempo, em especial nas manifestações políticas de massa. O surgimento de um novo cidadão o qual habita simultaneamente dois espaços diferentes, as ruas e as redes sociais. Um cidadão capaz de gritar e postar fotos, erguer os punhos e tuitar, abraçar colegas de passeata e conectar-se com milhares online. Este novo cidadão conectado pode derrubar governos corruptos e ajudar a colocar na cadeia líderes políticos sem moral e ética. O cidadão conectado está em todo lugar.

Para saber mais
De Digitale Stad (DDS)

Redes de Indignação e Esperança – Manuel Castells – Zahar Editora – 2013

Tweets and the streets – Social Media and Contemporary Activism – Paolo Gerbaudo – Pluto Press – 2012

Who controls the internet? – Jack Goldsmith and Tim Wu – Oxford Press – 2008

Ricardo Murer
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[Créditos da imagem em destaque: Shutterstock]

**Este texto é uma produção independente e, portanto, de inteira responsabilidade do autor, não refletindo a opinião da IInterativa.


Ricardo Murer (28 Posts)

Ricardo Murer é graduado em Ciências da Computação e também mestre em Comunicação, ambos pela USP. Ele é especialista em estratégia digital e em novas tecnologias.



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