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Infográfico – Dados da “Primavera Brasileira”

Destaque Infográfico Movimento Passe Livre: Dados da “Primavera Brasileira”

O Movimento Passe Livre tomou as ruas das principais cidades do País no início de junho. Saiba como a manifestação popular afetou a rotina dos brasileiros nas ruas e na internet

 

O que parecia mais uma simples manifestação por parte da classe estudantil culminou em uma multidão de descontentes com os rumos políticos do país. A importância histórica da iniciativa, ainda que não implique em ineditismo factual, se expressa em índices sem precedentes, tanto nas ruas, quanto nas redes sociais. Confira, na postagem de hoje, algumas informações sobre o que alguns jornais vêm chamando de “Primavera Brasileira”.

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O infográfico acima foi baseado no artigo abaixo:

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Os manifestantes do Movimento Passe Livre foram às ruas das principais cidades do Brasil, desde a segunda semana de junho. As reivindicações públicas eclodiram em São Paulo e tinham como alvo o aumento das tarifas do transporte público. Com o início da Copa das Confederações, sediada no país, a prévia da Copa do Mundo ganha ares de guerra civil. O público vai às ruas exigindo o fim da corrupção, cobrando das autoridades respostas com relação aos altos custos da construção de estádios e à implementação da PEC 37, do Deputado Federal Lourival Mendes, que questiona a competência do Ministério Público no tocante às investigações criminais.

Nas Redes Sociais, a sociedade se mobiliza em prol da luta pelos seus direitos. Em três dias, a página Anonymous Rio ultrapassou a marca dos 90 mil curtidores – o acréscimo, desde o sábado, foi de mais de 30 mil. O Twitter é palco de uma mobilização igualmente expressiva: a hashtag “#ogiganteacordou” registrou, no dia da manifestação do dia 17 de junho, a marca de 184.600 menções.

O que reivindicam os manifestantes?

No início, o principal alvo dos manifestantes era o aumento das tarifas relativas ao transporte público. No entanto, a insatisfação acumulada se desdobrou não só no aumento progressivo de adesões e de simpatizantes, como, também, na cobrança de respostas junto às autoridades acerca dos altos custos envolvidos na realização da Copa do Mundo no Brasil e ao sucateamento da máquina pública brasileira.

• Melhorias na qualidade do transporte público nacional;
• Diminuição imediata das tarifas, recentemente reajustadas;
• Retirada do controle privado sobre o transporte coletivo;
• Extinção da PEC 37;
• Justificativas para os gastos com a Copa do Mundo de 2014;
• Investimentos que priorizem a saúde e a educação

Quanto custa, de fato, o transporte público para os trabalhadores do mundo?

Os veículos de comunicação mais importantes do país publicaram dados expressivos sobre a relação entre os preços das passagens e as horas trabalhadas para se conseguir arcas com os custos com transporte. O jornalista Ricardo Boechat, pela rádio Bandnews, anunciava, por volta das dez da manhã, quanto tempo o trabalhador brasileiro médio precisava trabalhar para pagar uma passagem nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, em comparação com Paris, Tóquio e mais algumas cidades.

Quanto custa de fato o transporte público para os trabalhadores do mundo?

Quanto custa de fato o transporte público para os trabalhadores do mundo?

Fonte: sites das prefeituras, Banco Mundial. Cálculos realizados pelo professor Samy Dana. Cotação do dólar de 13/06/13.

Nas Redes Sociais

Até o dia 17 de junho, data do ápice do movimento, 548.944 publicações foram registradas nas redes sociais, de acordo com levantamento feito pela agência Today. O Twitter foi o canal responsável pela maior parte das manifestações, com 88% do total (483.839 publicações relativas ao tema).

Durante o dia, a participação nas redes sociais teve um crescimento constante a partir do início oficial das manifestações, às cinco da tarde. Neste horário, ocorreram 35.668 menções, desta forma distribuídas: 51.218 às seis da tarde, 54.058 às sete da noite e 87.795 às oito da noite, momento de pico, concentrando 15% dos comentários do dia.

No Facebook, a sexta manifestação pela redução da tarifa do transporte público em São Paulo contou com pouco mais de 118 mil pessoas confirmadas até as nove e meia da manhã. A página do Anonymous Rio, até as nove horas da noite do dia 18 de junho de 2013, registrava 90.199 curtidores e 199.040 “pessoas falando sobre isso” – o número de curtidores praticamente dobrou de sábado até terça.

No Twitter, as hashtags “#verásqueumfilhoteunãofogealuta”, “#ogiganteacordou” e “#vemprarua” notabilizaram-se por índices expressivos. A primeira delas atingiu a marca das 465.000 publicações, tendo seu ápice às oito da noite, com 111.400. O perfil da revista Veja foi invadido por hackers, no início da tarde do dia 17 de junho, identificados pelo perfil @AnonManifest!. “‘Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês.’ A #LUTA CONTINUA #Brasil #OGiganteAcordou #Brasil #rEvolução”, diziam as mensagens publicadas no perfil da revista.

Os Números de Uma Revolução

Uma multidão estimada em mais de 250 mil pessoas marchou pelas ruas de 40 cidades e 11 capitais brasileiras no dia 17 de junho. Mais de 100 mil manifestantes estiveram presentes na Cinelândia, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Em São Paulo, pouco mais de 65 mil pessoas lotaram o Largo da Batata, no bairro de Pinheiros.

Outras cidades envolvidas:

• Belo Horizonte (cerca de 20 mil);
• Belém (cerca de 13 mil);
• Brasília (cerca de 10 mil);
• Curitiba (cerca de 10 mil);
• Porto Alegre (cerca de 10 mil);
• Londrina (cerca de 8 mil);
• Londrina (cerca de 8 mil);
• Salvador (cerca de 5 mil);
• Vitória (cerca de 5 mil);
• Novo Hamburgo (cerca de 4 mil);
• Ponta Grossa (cerca de 4 mil).

A repercussão pelo mundo

No dia 19 de junho, pelo segundo dia consecutivo, os principais jornais do mundo destacaram as manifestações brasileiras.

• O jornal francês Le Monde promoveu um debate com Jean Hebrard e Claudia Fonseca Damasceno, diretores do Centro de Investigação sobre Contemporânea e Brasil Colonial.

• O jornal britânico The Guardian relatou, em detalhes, o protesto em São Paulo, mas mencionou que houve manifestações em mais, pelo menos, 12 cidades brasileiras. O texto do The Guardian indicou que houve “confrontos sangrentos”. A reportagem também inclui as análises de Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, professor de sociologia da PUC de São Paulo.

• A reportagem do El País informou que a manifestação, em São Paulo, demonstrou “um exemplo de maturidade cívica”, mas que também houve momentos de violência.

• A publicação do jornal norte-americano “The New York Times” destacou que “além do aumento das passagens, a manifestação reuniu pessoas insatisfeitas com o aumento no custo de vida e nos altos gastos para os projetos de novos estádios”.

A História se repete

Dados da Superinteressante revelam o histórico de conflitos urbanos nacionais originários da insatisfação popular com a gestão pública. Abaixo, encontram-se algumas informações sobre a Revolta do Vintém, do final do século XIV.

Ano: 1878 e 1879
Evento: Revolta do Vintém
Motivações: Entre 28 de dezembro de 1879 e 4 de janeiro de 1880, no Rio de Janeiro, a população protestou contra a cobrança de 20 réis nas passagens dos bondes. A revolta provocou conflitos entre a população e as forças armadas, o que terminou com números trágicos de mortos e feridos. No final, a pressão popular venceu e as autoridades e companhias de bonde anularam o reajuste.
Texto por Roberto Simoníades.

**Este texto é uma produção independente e, portanto, de inteira responsabilidade de seu autor, não representando a opinião da IInterativa.


Thales Chagas (7 Posts)

Thales Chagas é designer da agência IInterativa. Formado em Design Gráfico, é especialista em design de interfaces, arquitetura da informação, desenvolvimento de layout para web e em User Experience. Para o Thales, não tem tempo ruim: missão dada é missão cumprida. Teve trabalhos premiados por grandes sites e revistas do ramo.



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