Ideias. Colaboração. Tecnologia.
+55 21 2224-4525
IInterativa

Criatividade, inovação & afeto: a web que podemos (e precisamos) fazer em 2017

O ano de 2016 trouxe uma verdade à tona: nunca a tecnologia esteve tão em voga e foi instrumentada em tão larga escala como nos últimos tempos. Tendo em vista que mal conhecemos 2017, é possível afirmar que o ano passado foi intenso em apresentar desdobramentos de inovação e disrupção – seja o automóvel com inteligência artificial da Tesla, o Uber dirigindo sem motorista ou as câmeras de iPhones e Samsung Galaxy que superam câmeras profissionais. Realidade virtual chega às prateleiras, vídeo em 360 graus vem para balançar a experiência online, novas correntes colaborativas no mundo online e novos memes emergem e redes impulsionam debates amplos sobre violência, preconceito, solidariedade e compaixão.

Precisamos pensar na próxima rede que queremos fazer. Acredito que todas essas novidades querem nos dizer algo: basta ligar os pontos e é possível ver que o humano se torna para ele mesmo – e ele utiliza o digital para isso. O YouTube leva a experiência em vídeo 360 graus pelas favelas cariocas para todo o mundo; conectamo-nos por meio de hashtags para prolongar o debate ou uma brincadeira amistosa; navegamos por jogos hiperrealistas, integrando a participação online cada vez mais. Fato consumado: fazemos o que fazemos porque queremos estender a participação de nossas vidas, nosso cotidiano, aos ambientes virtuais. Da selfie ao textão, todos querem engajar três coisas, em minha opinião: criatividade, inovação e afeto. E acredito que esses são os termos, sempre interligados, que vão nortear a rede em 2017.

CRIATIVIDADE

Quando focamos em somente um tópico ou tema em nossa rotina, usamos poucas redes neurais de nosso cérebro. Não exploramos nossas capacidades em maioria – não fazemos os exercícios físicos que poderíamos fazer, não lemos os livros que poderíamos ler, não temos as ideias que poderíamos ter e por aí vai. Quando colidimos com outros e fazemos conexões, despertamos redes neurais para o que é novo e isso faz com que nosso cérebro “acorde” e nasça uma oportunidade de inovar e criar. “Nossas mentes também estão se transformando, evoluindo. Estamos descobrindo outras dimensões do nosso ser”, afirma Regina Migliori, no artigo “Comunicação sustentável: das redes neurais às redes de relacionamento”.

technology-nature

No PICNIC 2016, evento de inovação ocorrido em novembro, no Rio de Janeiro, tinha biocientista transformando a essência das plantas em código, inteligência digital. Trata-se de um ramo chamado de biomética. Na ocasião, o palestrante lançou uma frase que me impactou de maneiras que se destrincham até hoje: “Ferramentas são extensões de órgãos humanos.” O impacto em mim não é à toa: basta varrer a rede social por meia hora e qualquer usuário consegue identificar outros indivíduos buscando por contato. Usamos as redes digitais como extensão de nossas vozes e representações físicas.

Portanto, encontrar e navegar nas possibilidades do outro, dos demais usuários, é explorar o desconhecido e vasto campo do nosso cérebro para que ele crie e inove. Seja uma programação baseada no movimento de plantas, num debate acalorado e enriquecedor nas redes ou no uso de tecnologia para fomentação de relacionamentos. Quanto mais conhecemos, mais temos munição para desbravar a criatividade.

INOVAÇÃO

Nunca fomos surfistas tão experientes. Para o estudioso Steven Johnson, é assim que podemos nos definir, atualmente. Com tamanha proliferação de novidades no mercado de tecnologia, precisamos nos adaptar a todo momento. Ele explica, no livro “De onde vêm as boas ideias”, esse cenário:

“Um dos grandes truísmos de nosso tempo é que vivemos numa era de aceleração tecnológica; novos paradigmas continuam surgindo em quantidade crescente e a intervalos cada vez menores. Essa aceleração reflete não apenas o fluxo de novos produtos, mas também nossa crescente disposição para abraçar esses novos aparelhos estranhos e pô-los em uso. As ondas chegam em frequências cada vez maiores, e estamos nos tornando, em números crescentes, surfistas experientes, remando ao encontro delas no instante em que começam a quebrar.”

nosedive01

Estamos indo em alguma direção com esse comportamento freneticamente conectado e tecnológico.
Vale a pena refletir sobre como estamos lidando com isso.

Essa incessante maré de novidades nos põe em constante aprendizado no campo da tecnologia e, ainda mais, molda nosso comportamento – online e offline. Se antes nos encontrávamos na praça, nas ruas, no shopping, hoje nos encontramos, no WhatsApp, no Inbox do Facebook, no Slack, no Instagram ou seja lá qual vai ser a rede de amanhã. Quando menciono que inovação é precisa reinar em 2017 em nossas redes virtuais, digo que precisamos trazer algo de novo à roda, sempre. Devemos lançar holofotes em novos temas, pesquisar de maneira diferente, explorar as ferramentas digitais para fazer mais troca de conhecimento, para dialogar com outros de modo mais profundo. Acima de qualquer coisa, portanto, precisamos inovar nossa maneira de enxergar a rede. Olhar para a rede é olhar para nós mesmos.

Johnson resume, novamente, esse argumento: “O truque é descobrir maneiras de explorar os limites de possibilidade ao nosso redor. Isso pode ser tão simples quanto alterar o ambiente físico em que trabalhamos, ou cultivar um tipo específico de rede social, ou manter certo hábitos na maneira como procuramos e armazenamos informação.”

AFETO

“Contexto molda conteúdo”, afirma Rodney Mullen, norte-americano e um dos grandes fundadores do skate de rua, em uma palestra em 2012. Para Mullen, os indivíduos de sua comunidade tentam explorar o skate de maneira criativa e inovadora a fim de gerar um estilo único, individual. Na lógica dele, o que ocorre, logo, é que todos falam a mesma língua (o skate), mas todos dizem algo diferente (seu estilo). “Andar de skate é como um sotaque”, ele resume. De acordo com o skatista, já aposentado, o que motiva a comunidade a qual ele pertence é que todos tentam criar algo novo e abrir uma possibilidade naquela área e, na sequência, devolver à comunidade para que todos vejam e continuem criando juntos. “É quase como hackear, certo? E o que é hackear? É saber uma tecnologia tão bem que você pode manipulá-la e direcioná-la para fazer coisas que não deveriam fazer”, diz Mullen.

rodney-mullen01

O que Rodney Mullen faz com skate não é só esporte ou arte. Segundo o norte-americano, trata-se de um “sotaque”:
ele dialoga com a comunidade skatista criando manobras há mais de 20 anos, consolidando-a e legitimando-a.

Creio que a web precisa e tem elasticidade para ser criativa e inovadora, sim, mas isso só ganha sentido quando fazemos o que fazemos e devolvemos para a comunidade – assim como Mullen faz com o skate e como exemplificou perfeitamente usando hackers. Portanto, pesquisar, contribuir com a construção e divulgação de informações, nos torna menos passivos e mais produtores. Menos usuários, mais cientistas; menos receptores; mais engenheiros.

Não raro Instagram, Tumblr, Behance, Medium, Vimeo e afins estão se tornando grandes fóruns e epicentros para criativos se conectarem e expandirem informação e conhecimento acerca de seus respectivos segmentos. Esse senso de coletivo precisa continuar existindo em 2017 e, até mais, precisa transbordar para outros segmentos: espalhar arte onde não há, disseminar debates onde é preciso, promover iniciativas empreendedoras onde o espaço é desafiador e por aí vai. Criar ambientes de diálogo, relação e afeto.

Creio que esse seja o caminho. E caso ele não seja, talvez seja uma boa sugestão para levar adiante a internet e as redes em nossas trajetórias de 2017. Criatividade, inovação e afeto.

**Este texto é uma produção independente e, portanto, de inteira responsabilidade do autor, não refletindo a opinião da IInterativa.


Pablo Vallejos (1 Posts)

Curiosidade afiada, mente inquieta e paixão por palavras. Pablo ama ler sobre Tecnologia, Comunicação e até Psicologia e Ciências, gosta de tentar acompanhar todos os seriados e filmes do momento e, principalmente, de falar sem parar. Na Infobase Interativa, é Gerente de Conteúdo e Projetos Criativos.



Comentários no Facebook