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Como planejar para a Nova Classe Média brasileira?

Assisti a uma apresentação de Renato Meirelles do Data Popular de 2011. Mesmo estando quase na metade de 2013, essa pesquisa me pareceu bem interessante, pois para mim que estou trabalhando com Classe C em um novo projeto de e-commerce, ela me deu bastante insights.

classe c blog iinterativa Vale lembrar que para nós, planners, as pesquisas não são o final e sim o começo, ou seja, elas tem a missão de nos dar insights criativos e estratégicos, além, claro, de embasar nossas decisões. Pesquise sempre o seu mercado, concorrência, target, tendências, mas ouça também a sua intuição do planejamento, afinal, segundo o mestre Julio Ribeiro (Presidente da Talent) “ter conhecimento não é planejamento. Ouça sua intuição”.

Os carrinhos de supermercado, um índice cada vez mais importante na mensuração dessa nova classe média, a popular, classe C, está cada vez mais cheio, se em 2001 apenas 27 categorias de produtos estava presente nesse carrinho, hoje, possui 41 categorias. E não ache que são produtos “talibã” como chamados no mercado marcas B,C,D. São as mesmas categorias que a Elite, classe AB, consome diariamente. O aspiracional “sou classe C, mas quero ser A” é cada vez mais forte para a classe C, entender isso, as vezes, faz toda a diferença para a estratégia de marketing e negócios das marcas.

Não há como pensar em uma estratégia de negócios sem pensar na classe C. Hoje, o Brasil tem 54% da sua população inclusa nessa classe e estimasse que em 2014 seja de 58%; 60% dos acessos a web são da nova classe C, que concentra 48% da riqueza nacional. Não é mais diferencial entender e vender para essa classe, o diferencial é pensar no futuro onde a classe D será essa nova classe social em breve.

Segundo a pesquisa, o ato falho, é ver que o Brasil ainda é preconceituoso a ponto de a Elite não entender ou aceitar a Classe C, acreditando – pasmem – que seria ideal o mercado segmentar com, por exemplo, fila do Aeroporto para ricos e outra para pobres. O ruim dessa classificação é que normalmente os diretores de marcas são da elite e precisam falar com a classe que menosprezam, daí, a importância de não se ter preconceito na comunicação. Planners precisam ter isso em mente, não vamos esquecer!

A classe C tem mais paixão por pessoas. Conhecem seus vizinhos, se ajudam, se importam. O sucesso para eles não é a madame do Morumbi e sim a vizinha que conseguiu criar os filhos, que os educou e hoje os filhos estão em cargos altos nos seus empregos. Ouvem mais as indicações, compartilham mais, influenciam e são mais influenciadas por pessoas ao seu redor. Isso repercute, e muito, nas Redes Sociais, onde essa classe já representa 57% das contas ativas do Facebook.

Jovens, Negros e Mulheres. Norte e Nordeste. Interior da cidade de São Paulo. Esses são os vetores do crescimento dessa nova classe. Negros gastam 673 bilhões de reais por ano, jovens ganham até 5 vezes mais que seus pais, pois estudaram mais, se dedicam mais ao trabalho, buscam mais especialização. Decidem e influenciam mais dentro de casa. As mulheres decidem mais em casa, são as novas chefes de família. Está na hora de olhar para outros públicos, outros anseios, outras necessidades.

Brasileiro é otimista, é empreendedor. Para a maioria das pessoas empreender é sua realização, aliás, a realização da classe C passa por 3Cs: Casamento, Casa e Carro. São muito apegados a família, mas sem esquecer dos estudos e do trabalho. Uma coisa ligada a outra, mais estudos, melhores cargos, mais tranquilidade familiar, melhor qualidade de vida. Buscam isso. Não mais a riqueza, não mais ser milionário, mas sim, ter uma vida melhor que dos pais, mas com qualidade para aproveitar e estar sempre se dedicando a estudos e ampliar o conhecimento.

Achou insights para a sua marca? Planners avaliam esses dados e pensam de forma estratégica de como atingir o coração dessa nova classe de forma fazer eles se apaixonarem. Classe C quer ascensão, promova isso, acompanhe isso, esteja ao lado deles e eles nunca vão abandonar a sua marca.

**Este texto é uma produção independente e, portanto, de inteira responsabilidade do autor, não representando a opinião da IInterativa.


Felipe Morais (11 Posts)

Felipe Morais é formado em Publicidade, com especialização em Planejamento de Comunicação pela ESPM, Pós-Graduação em Planejamento pela Universidade Metodista, em Redes Sociais pela FGV e em Comércio Eletrônico pela E-commerce School. Ministra cursos de curta duração, Pós e MBA, nas áreas de Marketing Digital, Planejamento, Redes Sociais, Mídia e E-commerce. É autor do livro Planejamento Estratégico Digital.



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